'Estouro da boiada não vai parar por aqui': César Tralli conta bastidores da megaoperação contra o PCC

  • 30/08/2025
(Foto: Reprodução)
A megaoperação que mirou o esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis na última quinta-feira (28) é a primeira de outras que ainda virão. "Esse estouro da boiada não vai parar por aqui". É o que disse César Tralli em conversa com Natuza Nery no podcast O Assunto da sexta-feira (29). OUÇA NO PLAYER A PARTIR DO MINUTO 17:20 Apresentador da Globo e da GloboNews, Tralli acompanhou investigações sobre a atuação da máfia no setor de combustíveis por mais de uma década. No podcast, ele contou detalhes de bastidores sobre a investigação que revelou como o crime organizado se infiltrou no setor, e como o PCC chegou até a Faria Lima, centro financeiro do país. Na avaliação de Tralli, a investigação que levou à megaoperação da quinta-feira ainda terá novos desdobramentos. "Tenho convicção de que outras fases virão juntando as informações todas", diz. Tralli contou que, em 2024, começou a receber informações de pessoas do setor denunciando ameaças do crime organizado. "Comecei a receber muito telefonema de gente do ramo do açúcar e do álcool desesperada. Desesperada no sentido de dizer: 'Olha, a gente está sofrendo ameaça, a gente está sofrendo coação'". Na conversa no podcast O Assunto, Tralli afirmou que empresários relataram coação, invasões com carros-fortes, e até ameaças de sequestrar famílias ou matar filhos para forçá-los a vender produtos por valores abaixo do mercado. "Eles batem na porta com um carro forte dizendo: 'Se você não aceitar o valor que nós estamos comprando, nós vamos queimar tudo. A gente sequestra a sua família, a gente mata seu filho'". Tralli conta também que, segundo empresários do setor de combustíveis, hoje 40% de todo o mercado de álcool e de 25% a 30% do mercado de gasolina estão nas mãos do crime organizado. O jornalista diz que empresários do setor no interior de São Paulo começaram a fazer as denúncias de que o crime organizado atuava para expulsá-los e tomar conta do setor. E que foi, a partir dessas denúncias, que a investigação ganhou mais tração, há um ano. "Eu perguntei a vários investigadores: é o PCC que está em tudo? É o PCC que está tomando conta de tudo? Eles disseram que não. Tem PCC, mas tem outros grupos criminosos que se fortaleceram, se criaram e fizeram fortuna nesse esquema de adulteração de combustível. E alguns desses grupos se comunicam com o PCC na lavagem de dinheiro, na distribuição do combustível batizado, na compra de rede de postos." Fintechs são “buracos negros” para as investigações Na conversa com Natuza Nery no podcast O Assunto, Tralli destaca também como as fintechs viraram um "buraco negro". "As fintechs foram blindadas de investigação e de fiscalização. Então elas se tornaram buracos negros. Essa é a expressão que os investigadores usam. Elas viraram o triângulo das Bermudas. O que cai nelas, ninguém consegue identificar a origem e o destino." A Receita Federal afirma que os criminosos movimentaram R$ 52 bilhões nos últimos 4 anos por meio das fintechs, empresas que usam a tecnologia para oferecer serviços financeiros de forma mais simples e rápida que bancos tradicionais – e com quase nenhuma fiscalização do setor público. Depois da operação da quinta-feira, a Receita publicou uma norma que dá às fintechs o mesmo tratamento dado aos bancos. A norma determina que as fintechs passem a apresentar informações por meio da e-Financeira — sistema já usado há mais de 20 anos por bancos tradicionais para reportar movimentações financeiras ao Fisco. O que você precisa saber: ENTENDA: Como o PCC se infiltrou no setor de combustíveis e na Faria Lima QUEM SÃO: 'Primo' e 'Beto Louco', os chefes do esquema bilionário COMBATE A FACÇÕES: 'Maior resposta' ao crime organizado, diz Lula sobre operação Haddad diz que megaoperação conseguiu chegar 'ao andar de cima' do crime organizado PF vai investigar vazamento sobre megaoperação NÚMEROS DA OPERAÇÃO: R$ 52 bilhões, 2,5 mil postos, 350 alvos... POSTOS DO PCC: Como identificar se o combustível foi adulterado O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sarah Resende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Carlos Catelan. Apresentação: Natuza Nery. Viaturas da PF e da Receita em frente a prédio na Faria Lima durante megaoperação que investiga fraude do PCC em postos de combustíveis Amanda Perobelli/Reuters O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.

FONTE: https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2025/08/30/estouro-da-boiada-nao-vai-parar-por-aqui-cesar-tralli-conta-bastidores-da-megaoperacao-contra-o-pcc.ghtml


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